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O Francisco Leal não existe. Foi inventado. A gente, às vezes, pensa que ele está, mas ou não está, ou não é ele! O silêncio que ele consegue criar à sua volta (mesmo no meio da gritaria geral) e a perícia, o profundo conhecimento de acústica – e de música! –, o excelente, discretíssimo gosto sonoro e, principalmente o modo como ele mesmo se faz intérprete do espectáculo enquanto opera o som são, no mínimo, tentadores. (Pais, 1998b) |
por Paulo Eduardo Carvalho
in Sinais de Cena 1
Revista da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro
O(s) Prémio(s) da Crítica 2003
Prémios da APCT 2003 |
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Francisco Leal é uma daquelas figuras por quem, à partida, nenhum jornalista se poderia interessar. Quem o garante é alguém que, sob o solene (mas pouco rentável) título de “assessor de imprensa” convive diariamente, isto é, tolera e é tolerado todos os dias pelo género. Tudo o que não seja explicável em trinta segundos ou meia-dúzia de caracteres (o impiedoso soundbyte!) suscita uma imediata reacção de enfado ou o apressado ferrete de “saber especializado”. Mas, como diria o outro, não entremos tão depressa nessa noite escura. Porque o dom da invisibilidade que distingue Francisco Leal – sonoplasta, desenhador de som de espectáculos teatrais e responsável pelo Departamento de Som do TNSJ – é uma coisa demasiado rara para que a possamos atribuir à cegueira da impaciente máquina discursiva dos nossos tempos ou à infernal barulheira mediática em que estamos todos mais ou menos imersos. |
por Pedro Sobrado in 2 Colunas, TNSJ |